“Surgiu uma ideia de reunir um grupo de pessoas extraordinárias para ver se elas poderiam se tornar algo maior. Então, quando nós precisássemos, elas poderiam travar as batalhas que nós jamais conseguiríamos.”

E essa ideia deu certo pra caramba!

Infinity War não é o filme mais necessário do gênero. Pra mim, esse título segue com Pantera Negra, que trata de um problema real para o mundo real. Mas Infinity War é de longe o mais incrível e ousado filme já feito do gênero.

E é preciso lembrar o tamanho do desafio envolvido: pegar 18 filmes, com vários arcos e personagens diferentes (muitos dos quais nunca interagiram), e conectar todas essas peças em 152 minutos. Parecia impossível. Mas foi incrível o primor com que isso foi feito. Não houve economia: a escala de tudo é épica nessa produção. É inacreditável a perfeição com que páginas de gibis foram transliteradas para o cinema, trazendo às telas o que parecia impossível de ser adaptado algum dia.

A Marvel Studios completou 10 anos. Nessa década, ela construiu uma bagagem com 18 filmes. E é por essa bagagem, que fez dela a maior franquia da história do cinema, arrecadando no mundo mais de R$ 51 bilhões, que ela pode agora se dar ao luxo de fazer “loucuras”.

Infinity War é essa loucura. É a subversão da própria fórmula que a Marvel consolidou. É uma montanha russa de sentimentos, situações, reviravoltas. É imprevisivelmente épico. E vai levar os fãs a torcer pelos heróis e a chorar por eles.

Thanos, em minha singela opinião, não supera Killmonger como antagonista, mas se assemelha muito a ele – eu colocaria Thanos, em minha lista de preferência, como o segundo melhor “vilão” da história do MCU até aqui. Ele não é um cara malvado e ponto final. Ele é um homem implacável com uma missão e faz o que é necessário para cumpri-la. Ele não é um genocida, é um visionário pragmático com um senso de justiça extremista e draconiano. Mas, principalmente, ele não é alguém raso e sem motivação: ele é um personagem bem construído, bem posicionado ao que se propõe e com uma causa consistente.

O maior filme de super-heróis já lançado até aqui não tem como protagonista nenhum herói: Thanos e sua causa é a força motriz do filme e eles tomam o protagonismo nesta peça do MCU.

Kevin Feige, Anthony e Joe Russo não mentiram quando disseram que o filme seria sobre Thanos. É sobre Thanos! E quem conhece o arco da busca pelas Jóias do Infinito nos quadrinhos (Thanos em busca do poder) sabe que essa escolha foi respeitosa. Assim como quem conhece a Guerra Infinita dos quadrinhos, saberá que esse final (incrível, por sinal!) era o sonho de infância de todos os que cresceram com as histórias da Marvel. Foi a realização do maior desejo de muitos fãs.

Kevin Feige, Anthony e Joe Russo não mentiram quando disseram que esse filme é pra ser visto sem spoilers. O filme traz às telas o inesperado elevado à décima potência e impedir que um verdadeiro fã das histórias da Marvel desfrute disso de maneira plena deveria ser tipificado como crime no código penal.

Infinity War foi vendido como o crossover mais autêntico e ousado da história do cinema. Mas isso é uma mentira completa. O filme não é apenas isso: ele destrói quaisquer adjetivos que você possa pensar em usar para descrevê-lo e vai muito além, superando todas as expectativas criadas e construindo novas expectativas para Vingadores 4. É simplesmente sensacional e não é à toa que tudo relativo ao cinema tenha sido eclipsado por ele antes de sua estreia.

Vá ao cinema esperando as pontas soltas dos filmes do MCU serem unidas, os heróis demonstrarem suas evoluções, as consequências de Guerra Civil serem explicitadas e claro: haverá consequências a partir de Infinity War.

Os filmes da Marvel há muito romperam o postulado de que filmes de super-heróis são entretenimento para crianças. Sabemos que super-heróis não existem. Mas a Marvel os traz ao nosso imaginário porque só a nossa realidade não basta. É preciso acreditar que adversidades podem ser superadas, independente de seus tamanhos. É preciso manter a esperança mesmo quando tudo parecer perdido. E se tem alguma lição deixada por The Last Jedi e agora por Infinity War, é esta: por pior que estejamos, nós temos mais que o suficiente para vencer. E é por isso que seguir lutando é necessário e nunca se deve deixar de acreditar nisso. Nós podemos pegar a nossa dor, transformar em algo bom e seguir adiante. E talvez ser super-herói seja apenas isso!

Parafraseando um dos meus autores favoritos, eu diria que diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo, é um imenso prazer para mim viver nessa época de produção mais arrojada do Marvel Stud10s. Eles não fazem somente filmes: eles fabricam sonhos!