O Uruguai quebrou um jejum de 16 anos, venceu sua 15ª Copa América e instaurou a festa em seus pouco mais de 176 mil km². Título justo, que premiou uma seleção que entrou em campo – diferentemente de Argentina e Brasil – sabendo que o favoritismo, sozinho, não derrota ninguém: era preciso jogar futebol para vencer.

E o Uruguai jogou! Se não mostrou o melhor futebol das últimas Copas América, conseguiu ser eficiente. A lição que este título deixa para o futebol é de que não basta ter os melhores jogadores no grupo: é preciso formar o melhor time. E o melhor time não se faz, necessariamente, com as melhores peças, mas sim com aquelas que melhor encaixam e fazem girar a engrenagem tática da equipe. É claro que Forlán e Suárez não são melhores que Messi ou Neymar, mas que o Uruguai mereceu ganhar e que os outros dois favoritos nem perto disso chegaram, não há dúvidas!

Neste ponto, o demitido Sergio Batista e o já contestado Mano Menezes foram inferiores ao maestro Tabárez, que usou a espinha dorsal de um time que foi goleado em casa pelo Brasil por 4×0, num não tão longínquo 6 de junho de 2009, para elevar a celeste ao status de “melhor do continente”. E agora não somente como atual campeã, mas pelo retrospecto histórico: são 15 conquistas na bagagem, que ultrapassam as 14 argentinas e se distanciam ainda mais das oito brasileiras…

É preciso destacar também isso: que a maior estrela do Uruguai é o seu técnico. Todos tentaram jogar entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, mas só Oscar Tabárez conseguiu implatar isso com sucesso entre os seus selecionados.

Podemos dizer, com certa segurança, que o título do Uruguai se decidiu em duas partidas: a primeira (e mais importante) em Santa Fé, contra a Argentina. Naquele jogo, quando ficou com um a menos em campo ainda no primeiro tempo, com o placar empatado, deu uma aula de como se reposicionar em campo.

Não houve desespero e nem retranca. Com 10 em campo, o Uruguai ainda criou boas chances e deu a impressão de que não existia desvantagem, dado o equilíbrio da partida. A reconfiguração tática se deu sem nenhuma mudança, sem sacrificar a ofensividade do time, mas somente com uma reorganização das peças em campo. Quando precisou, ainda contou com um inspirado Muslera embaixo das traves.

A segunda partida que decidiu seu título nem precisou do Uruguai em campo. Foi no dia seguinte à primeira, quando o Paraguai eliminou o Brasil. Com Paraguai, Peru e Venezuela nas semifinais, o título da celeste ficou desenhado. Bastava fazer o trivial para confirmá-lo e foi isso que o Uruguai fez para construir 2×0 sobre os peruanos e 3×0 nos paraguaios.

Aos que desdenhavam do renascimento do futebol uruguaio, que ficou em 4° na Copa do Mundo, teve o melhor jogador da competição (Diego Forlán), voltou às Olimpíadas depois de 84 anos e conquistou o vice-campeonato do Mundial sub-17, agora isso não será mais possível: essa retomada se consolidou com um título, já que – para muitos – só isso interessa ao aspecto material de uma recuperação.

Virão outros Maracanazos por aí? Oportunidades não faltarão com Copa das Confederações (2013), Copa do Mundo (2014), Copa América (2015) e Olimpíadas (2016) no calendário desportivo.

Publicado originalmente no Portal Extra-AP.