O pentacampeão Rivaldo, ainda na ativa aos 39 anos, deu uma entrevista com boa repercussão na imprensa esportiva, onde detalhou a forma como enxerga a atual Seleção Brasileira.

Para Rivaldo, a chance do Brasil perder a Copa em casa – outra vez – é real e sua sugestão para evitar esse fracasso seria a convocação de Ronaldinho Gaúcho e o envio dos talentosos Ganso, Lucas e Neymar à Europa para “adquirirem experiência”. Mas o que Rivaldo quer dizer com isso?

Atletas que vão aos grandes centros do futebol europeu (Rivaldo foi um desses) regressam com o mesmo discurso: que na Itália o futebol é de muita marcação; na Inglaterra de vigor físico; na Alemanha é majoritariamente tático; e na Espanha é mais ofensivo e semelhante ao jogo brasileiro. Mas os mesmos são unânimes em afirmar que o futebol brasileiro é mais técnico que todos os outros.

O que os atletas ganhariam, portanto, em qualidade agregada, indo disputar competições menos técnicas? Além de melhor remuneração e projeção midiática, nada. Experiência, que é o que Rivaldo fala, se adquire praticando o futebol profissionalmente. E não indo jogar noutro país. Ou será que Rogério Ceni, que nunca saiu do Brasil, é menos experiente que Rivaldo?

A Seleção da Espanha e o Barcelona são referências do futebol atual por jogarem como o Brasil atuava. E o futebol brasileiro deixou de ser o melhor do mundo justamente por se europeizar. Retirar dos palcos brasileiros seus melhores atletas é ponto contra, além de ser um falso indicativo de que jogar na Europa melhora a qualidade do jogador.

Diga-se, ainda, que o camisa 10 do São Paulo sabe bem o que é chegar numa Copa em clima de “já ganhou” e em condição de descrédito, pois viveu isso na pele em 1998 e 2002, respectivamente. Ele sabe que chegar desacreditado, como o Brasil atualmente se encontra, não significa insucesso.

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 8.