
Quando surgiu para o futebol, em 2007, destaque no time do São Paulo que foi vice-campeão da Copa São Paulo de Juniores e se firmando (em menos seis meses) como um dos pilares da melhor defesa da história do Brasileirão em sua era de pontos corridos, o zagueiro Breno foi anunciado por Muricy Ramalho como um “fenômeno”.
Campeão Brasileiro pelo São Paulo naquela mesma temporada, sequer chegou a disputar a Libertadores do ano seguinte: foi vendido por 18 milhões de euros ao Bayern de Munique. Pra quem tinha 17 anos e menos de um ano de vida profissional, ser comparado a Beckenbauer e ir jogar no clube do kaiser era a realização precoce de um grande feito profissional.
E o menino era bom de bola. Muitos que o acompanharam naquela temporada devem lembrar da facilidade dele para sair com a bola nos pés dentro da defesa, da frieza que teve para encarar um bate-boca contra o experiente Palermo no jogo contra o Boca pela Copa Sul-Americana, e do golaço que marcou contra o Santos no Morumbi. Quando foi convocado para a Seleção Olímpica de 2008, ninguém ousou questionar o merecimento disso.
Um jovem que tinha tudo. Menos cabeça. Como é possível que agora, quatro anos depois, prestes a encerrar seu contrato com o Bayern (onde não conseguiu se firmar), Breno esteja preso sob a acusação de ter ateado fogo em sua própria casa?
A tragédia pessoal de Breno mostra que garotos mal agenciados e transformados em mercadorias dentro do futebol, nem sempre estão prontos psicologicamente para a vida no futebol europeu, longe de casa, de sua cultura e ciclo social. E Breno não é a única figurinha desse álbum: Adriano é um outro exemplo que reforça esta tese.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 11.