
A final do Mundial de Clubes foi muito aguardada aqui no Brasil, mas não houve durante o jogo qualquer disputa e nem nada que permitisse ao Santos sonhar com aquele título. O Barcelona passeou e imprimiu, com autoridade, a maior goleada das finais de mundiais clubísticos desde 1961.
Não adianta caçar bruxas no Santos, dizendo que Muricy foi retranqueiro, que Ganso sumiu, que Neymar pipocou ou qualquer coisa do gênero torcedorês: a equipe brasileira fez tudo o que esteve dentro dos seus limites. Poucas vezes uma equipe mereceu tanto a vitória como fez o Barcelona, um triunfo do qual vamos falar para sempre.
E que não aconteceu somente contra o Santos, mas diante do Real Madrid, do Manchester United e todos os demais clubes (poderosos ou não) que cruzam o caminho deste Barcelona. Para resumir na frieza dos números, desde que Guardiola o assumiu, em meados de 2008, são 13 títulos em 16 disputados.
Cada geração assisti, incrédula, a uma grande equipe de sua época. E a deste tempo é sem sombra de dúvidas o Barcelona, que escreve a história do futebol em nossa frente e eleva este esporte a um outro patamar. Não adianta mais tentar vencer o Barcelona jogando como se jogava até dois ou três anos atrás: o estilo do clube espanhol aperfeiçoou o conceito do futebol total de Rinus Michels, onde ninguém guarda posição fixa e todos se deslocam em bloco, sempre próximos da bola, fazendo com que a posse da mesma se perpetue com a equipe e que o adversário fique cansado de tanto correr atrás dela.
Times que ainda jogam com jogadores em posições e setores fixos, tentando marcar este Barcelona, dificilmente o baterão. Existe chance disto acontecer somente por se tratar de futebol, onde o imprevisível torna o esporte tão fascinante, mas sempre chances parcas, mínimas.
Não se trata somente do melhor time dos últimos 40 anos, mas também de uma das cinco maiores equipes que o futebol formou até então e que certamente ficará marcada para o resto da história quando se desfizer, como já aconteceu com o Real Madrid de Puskás e Di Stéfano e com o Santos de Pelé.
Vivemos em um mundo onde somos céticos o bastante para ainda acreditar em mágica ou episódios sobrenaturais, mas não custa pensar que o que nos há hoje de mais próximos da condição de super-heróis são esses atletas do Barcelona. A nós que escrevemos sobre eles, que assim como os adversários correm para marcá-los corremos atrás de adjetivos para descrevê-los, só nos resta admirar e proferir para Messi, Xavi, Iniesta, Guardiola e cia o nosso muito obrigado.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 16.