
Novo ano, temporada nova e repete-se o mesmo roteiro dos fevereiros anteriores: desinteressantíssimos Campeonatos Estaduais dividindo espaço com a previsibilidade das primeiras fases da Libertadores da América e Copa do Brasil.
Na primeira vista, tudo bem, qual o problema disso? Início de temporada deve ser assim mesmo, com todos aquecendo os motores para engrenar ao longo do ano. Mas o problema não é esse.
A decepção fica em como se estrutura a disputa dessas três competições, com quatro meses de nada, somente jogos ordinários de Davis versus Golias, e depois duas semanas de abril onde se define quem segue em frente ou quem desafortunadamente ficará um mês treinando até o início do Campeonato Brasileiro.
Aconteceu com o Botafogo no ano passado, quando ficou fora das finais do Estadual e da Copa do Brasil, e pode acontecer novamente com outro grande clube. E clubes de massa precisam ficar em evidencia para expor seus patrocinadores, pagar suas contas e entreter sua torcida. Evidenciemos, portanto, a insustentabilidade dessa possibilidade.
E isso somente acontece pela baderna que se tornou o calendário do futebol brasileiro. Todo ano todos reclamam, todos desaprovam, mas todos assinam embaixo do mesmo modelo e decidem que será assim.
Ao invés de premiar a regularidade, fica evidente que o primeiro semestre acaba sendo bom pra quem chegou bem em seu final. Os mata-matas de abril são cruéis, eliminam sem volta. E eles devem mesmo ser assim, é a natureza dessas competições.
O que não pode é se ter um hiato tão extenso entre o final da participação de uma competição para outra. E outra coisa que também não pode é continuarmos agredindo os atletas com jogos todas as quartas e domingos do ano, prejudicando a saúde e abreviando o tempo de duração dos mesmos na profissão, além de representar uma queda qualitativa ao espetáculo desportivo para quem assiste.
A solução sempre foi simples, clara, cristalina e do conhecimento de todos: eliminar os estaduais, esticar a Copa do Brasil e a Libertadores, tornando-as paralelas aos nacionais sul-americanos. Eis aí um calendário que não mutilaria mais os elencos em julho e agosto, com a principal competição futebolística do país em andamento, devido as transferências que fatalmente acontecem para o futebol europeu. Eis aí um calendário que seria atraente e ensinaria o público a admirar o futebol e suas competições pela graduação de status devida, e não pela balela de “rivalidade regional” que sustenta os estaduais.
E se é tão simples, como não adotamos isso? Por conta do nosso eterno amadorismo!
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 18.