
Já ficou sem graça emitir qualquer opinião sobre Adriano, pois o tipo de notícia sobre este jogador parece nunca mudar: sempre é algo diferente para lamentar.
Adriano na Internazionale? Entrou em parafuso e desistiu da carreira (e depois desistiu de desistir dela para jogar no Flamengo). Adriano no São Paulo? Agrediu um repórter fotográfico. Adriano no Flamengo? Deu uma moto e relevante quantia em dinheiro para um traficante. Adriano no Roma? Reserva, fora de forma, nenhum gol marcado e rescisão contratual. Adriano no Corinthians? Contusão, excesso de peso, faltas em treinos e sessões de tratamento e mais uma rescisão contratual.
Isso tudo só pra resumir os reveses que ele coleciona. Alguém ainda vai criticar Dunga por ter preferido o esforçado Grafite ao midiático Imperador na lista dos convocados para a Copa de 2010? Estou convencido de que, ao menos nesta escolha, Dunga não esteve equivocado.
Antes que justifiquem seu “poder de decisão” colocando-o acima do bem e do mal e imputando o título do Corinthians no Brasileiro como obra dele por conta do gol contra o Atlético-MG, que fique claro: o Corinthians seria campeão mesmo sem aquele gol; e o Corinthians foi campeão muito mais pelos gols de Alex, Liédson, Emerson e William, por exemplo, do que pelo gol solitário marcado por Adriano.
E agora, o que fazer com Adriano, que atrai mídia (como tudo que causa polêmica!), mas não joga futebol? O Flamengo já encaminhou sua contratação, já teve a tal da conversa “olho no olho”, já viu Adriano falar em comprometimento e transferir para o departamento médico do Corinthians a culpa pelo seu fracasso.
Resolvido o problema? Não!
Enquanto Adriano não quiser ser profissional, ou seja, treinar como os outros, cuidar do seu corpo como os outros e seguir a normatização hierárquica do clube como os outros, vai continuar dando errado. Se Adriano não quer se recuperar, então não tem médico e nem psicólogo que dê jeito nele.
Se ele for aceito no Flamengo, que já está uma bagunça, será uma contratação notadamente realizada por pena, por dó de um atleta que se deixou destruir, do que por necessidade do clube, que já conta com os caros Vágner Love e Deivid para o posto de centroavante – e não os paga em dia!
Eu não contrataria Adriano, nem com cláusulas de risco no contrato, por estar mais que óbvio que não vale a pena. Depois do novo naufrágio do projeto Adriano, quem vai prestar contas com a torcida e o financeiro do time? O dirigente que o contratar deveria ser interditado pelo conselho fiscal do clube, pois vai jogar dinheiro fora.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 21.