
Eu tenho um monte de achismos sobre a situação da Venezuela. Não li o suficiente sobre; nunca fui lá pra ver o que realmente está acontecendo. Não me arrisco a dar credibilidade ao que a imprensa daqui veicula. Aí o que eu faço?
Guardo meus achismos comigo mesmo pra não sair escrevendo bobagens!
Se eu quiser ter uma posição qualificada sobre a conjuntura venezuelana a ponto de buscar formar a opinião dos outros com ela, em algum momento vou parar algumas das coisas que faço para me apropriar de informação precisa e fidedigna para formatá-la da melhor maneira.
Enquanto não fizer isso, o ideal é eu me calar. E além de me calar, o ideal é eu aprender a respeitar a soberania de um povo que foi às urnas decidir por seu futuro. Como eu vou achar que poderia votar melhor que os venezuelanos sobre o país deles?
Algumas pessoas têm que abandonar o vício de querer ter “certeza” sobre tudo e a qualquer custo, como se fossem enciclopédias ambulantes. Só conseguimos ter posição de boa qualidade, de fato, sobre aquilo que estudamos.
Das duas uma: ou o feed das minhas redes sociais está cheio de pós-doutores sobre a “crise venezuelana” que são profundos conhecedores dos “crimes de Maduro”; ou está cheio de idiotas que adoram chamar a atenção com falsas polêmicas e propagação de desinformação.
No geral, é preciso admitir que nós temos mais dúvidas do que certezas. Muitos dos meus colegas parecem possuidores de todas as “certezas” e “últimas palavras” sobre qualquer assunto; inclusive parecem ter as respostas das perguntas antes mesmos delas serem formuladas.