
Vamos alugar o velho bordão “há coisas que só acontecem com o Botafogo” ao Flamengo. O time rubro-negro faz por merecer esta cessão!
Como um time que passou – devido aos insucessos do primeiro semestre – quase um mês treinando, ganhando uma nova pré-temporada para corrigir seus erros, consegue voltar se apresentando de maneira ainda mais esdrúxula?
Contra o Sport, na estreia do Brasileirão, o empate foi lucro. Jogando em casa contra um Internacional postado em campo com oito reservas, deixou escapar uma vitória após abrir dois gols de vantagem. No jogo contra a Ponte Preta, se safou da derrota com um gol no último lance da partida. Evitou a agudização da crise ao vencer o Coritiba com a ajuda (dos erros) da arbitragem. Resultados muito modestos para quem tem “apenas” o Campeonato Brasileiro para preencher todo o restante de 2012…
A contratação de Ibson, volante (e não armador) de origem, que estava em baixa no Santos, não pode ser alardeada no clube como se estivesse chegando o Pelé ao elenco. Ibson não é mais que um jogador esforçado, competente; mas que vive um mau momento e mesmo em seus melhores dias não teria condições de arcar com o status de salvador da pátria.
O episódio da saída de Ronaldinho Gaúcho escancara dois problemas gigantescos no Flamengo, um já conhecido e um inédito (ao menos na atual gestão): 1. o não cumprimento de sua principal obrigação de empregador, que é pagar os salários que acorda em contrato; e 2. o mau-caratismo em esconder episódios de indisciplina de um atleta e somente os tornarem públicos após um litígio judicial contra o mesmo, como se o arquivamento destes fosse uma espécie de chantagem.
Mais lamentável não é que isso aconteça ao Flamengo, que pelas decisões que a instituição toma (na figura de seus gestores), merece seguir o rumo que toma e viver a crise dentro e fora do campo que vivencia. O que se lamenta mesmo é que este Flamengo, time de maior torcida e de maior potencial financeiro do país, seja o quinto clube que mais arrecadou na última temporada (quando deveria ser o primeiro) e sirva de estandarte comprobatório de que o futebol no Brasil ainda está longe da modernização administrativa necessária. É previsível que a saída para essas crises cíclicas que rondam a Gávea seja a demissão do treinador. Por isso são cíclicas: vão e voltam. Talvez só sejam extirpadas de uma vez quando a desordem e o antiprofissionalismo deixarem de fazer parte da identidade cultural do Flamengo.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 25.