
Vamos parar por alguns minutos e pensar na história que Kléber construiu no Palmeiras de 2008 até os dias atuais. Voltando da pausa, o que temos é um título estadual como coadjuvante, poucos gols em jogos realmente decisivos e muitas polêmicas.
É provável que quase ninguém lembre de seu golaço na primeira rodada do atual Brasileirão, que deu a vitória ao Palmeiras contra o Botafogo. Mas das cotoveladas que ele distribuiu entre seus marcadores, da forçada de barra para ser vendido ao Flamengo e da recusa em seguir a hipocrisia do fair play contra o mesmo Flamengo muita gente deve lembrar.
Kléber, com seus 28 anos, não conseguiu chegar na Seleção, não conquistou títulos importantes, não fez sucesso na Europa. E é visto como ídolo. Mas por qual razão? Por ser amigo de membros de torcidas organizadas. O torcedor comum do Palmeiras não criou a alcunha de Gladiador, mas a Mancha Verde a impôs arquibancada abaixo.
E se ele entrou no hall dos ídolos palmeirenses pela porta dos fundos, sem ter uma grande conquista, mas sim com grandes puxa-sacos forjando essa imagem, agora ele sai desse hall onde entrou desmerecidamente pela mesma porta traseira: com uma polêmica.
Bateu de frente com a diretoria e com o próprio Felipão, que é muito mais ídolo que o Kléber. E que tem conquistas relevantes no Palmeiras para assim ser considerado!
O curioso é que se Kléber errou quando queria ir ao Flamengo e simulou contusões, desafiando o parecer dos médicos palmeirenses, o atacante não errou agora. Defender João Vitor do linchamento sofrido por torcedores e cobrar rigor da diretoria na apuração do problema era papel de líder do elenco. Isso foi bem desempenhado.
Quem errou foi a diretoria, que perdeu a chance de se livrar da bomba-relógio Kléber meses atrás com a proposta do Flamengo e agora, além de perdê-lo, vê o jogador sair desvalorizado no mercado, com o carimbo de moleque-problema.
À torcida do Palmeiras, fica uma lição: que dê vivas para Ademir, Dudu, Leão, Evair e Edmundo. E não para qualquer oportunista sem identificação com o clube, mas sim com esquematizações com facções organizadas de torcedores.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 12.