O que pensa Messi quando enxerga Josep Guardiola no banco de reservas não deve ser diferente do que pensa o treinador quando observa seu camisa 10 no gramado: há uma mútua admiração entre ambos os craques. E uma trajetória parecida…

Guardiola chegou ao Barcelona em 1983, aos 13 anos de idade. Messi, quando ainda tinha 1,40m de altura, chegou ao mesmo clube e com a mesma idade, em 2000.

O volante que chegou à Seleção Espanhola atuou pelo Barça durante 12 temporadas, participando do Dream Team de 1992-94, comandado por ninguém menos que Johan Cruijff (também ex-jogador do Barcelona). Levantou a primeira Champions League do clube catalão, seis Ligas e um total de 16 títulos quando atuou dentro de campo.

A história de Messi tem sido praticamente a reescrita da de Guardiola, mas em outra posição: o ataque. O craque argentino, sem dúvidas o mais talentoso futebolista desde Maradona, já está em sua oitava temporada pelo Barcelona. A alcunha de time de sonhos não foi repetida, pois esta já serve para caracterizar um outro período histórico do clube, mas cairia como uma luva para a equipe que o técnico Guardiola montou desde a temporada 2008-09. Messi, principal estrela da constelação azul-grená, tem no currículo uma Liga Espanhola a menos que Guardiola, mas compensa com um Mundial, três Champions e um total de 19 taças pelo clube – 11 delas com Guardiola como treinador.

Pela Seleção, Guardiola tem um ouro olímpico, conquistado em 1992. E Messi, idem: o de Pequim 2008. Para Guardiola, que jogou numa desacreditada Espanha, muito. Para Messi, principal nome da sempre favorita Argentina, ainda é pouco. Por isso é tão cobrado em seu país natal…

Se fosse algum jogador do elenco do Barça, no entanto, Guardiola não seria Messi, mas Xavi ou Iniesta. Essa identificação do ex-craque que foi treinado por outro ex-craque do clube com as estrelas atuais que são comandadas por ele criam um elo de imagem e semelhança no Barcelona que só se justifica mais quando vemos que essa mesma filosofia de jogo bonito e eficiente é aplicada em todas as divisões inferiores do clube.

O produto dessa equação tem sido o melhor futebol do mundo dos últimos 30 anos. Um time que venceu ontem, outra vez, o poderoso Real Madrid do estrategista José Mourinho e ergueu a segunda taça na temporada que ainda nem iniciou – a primeira foi a amistosa Audi Cup.

Parece não haver limites para dupla Guardiola-Messi. E nem devemos ter pressa para definir o lugar dessa parceria na história do futebol.

Publicado originalmente no Portal Extra-AP.