
Chegamos ao 21º filme do Universo Cinematográfico Marvel: Capitã Marvel.
Patrocinando de vez a ideia de dar representatividade ao UCM, temos em cartaz – antes tarde do que nunca! – um filme do Marvel Studios com protagonista mulher. Não “uma” protagonista: “a” protagonista.
Representatividade que já vimos com negros e negras em Pantera Negra e que veremos com orientais em Shang-Chi, com LGBTs em Os Eternos etc. O recado da Marvel para o mundo é que todos podem ser super-heróis e todas podem ser super-heroínas!
Antes de ver Capitã Marvel, uma dica: reveja Homem de Ferro 2. Lá você verá Tony Stark pedindo para Jarvis a coleta de dados dos projetos Pegasus, Exodus e Goliath. O Goliath você já viu em Homem-Formiga e a Vespa. Os outros dois estarão no filme da Capitã – mas só se você prestar muita atenção notará eles lá!
Dito isto, espere mais um filme de origem, com a já conhecida fórmula Marvel da “jornada do herói” – neste caso, da heroína. O filme está longe de ser chato e cansativo pra quem pensa “de novo isso”. Assim como também está distante de ser uma ponte para Vingadores Ultimato – exceto pela primeira cena pós-créditos. Se assemelha em alguns aspectos com o filme de origem do herói que ela irá substituir a partir da fase 4: o Capitão América.
Capitã Marvel expande o universo cósmico do UCM para além do que tínhamos visto em Guardiões da Galáxia 1 e 2. Mostra de perto a guerra Kree-Skrull, enfatizando que há heróis e vilões de ambos os lados. Deixa você se sentindo um pequenino habitante de um planeta ainda primitivo em meio a tantos outros lugares com vida inteligente em tantas outras galáxias com sociedades tão mais avançadas que a nossa. Aquilo que Carl Sagan nos faz sentir em Pálido Ponto Azul.
Mas ao mesmo tempo Capitã Marvel nos dá prazer em sermos humanos. Longe da perfeição, cheios de defeitos, fraquezas, vaidades, medos, insanidades etc, nós, os humanos, somos lembrados pelo filme de uma qualidade que as outras espécies de vida inteligente do UCM não possuem: a persistência.
Você vai ver a Capitã cair, vai ver dizerem pra ela desistir, que aquilo que ela está tentando não é algo para a capacidade de uma mulher… e vai ver ela levantar quantas vezes forem necessárias para tentar de novo, cair de novo, e levantar pra fazer outra vez até dar certo. É esse o verdadeiro superpoder de Carol Danvers.
Talos tem seu momento – e que momento! Novamente a Marvel capricha no vilão do filme e o humaniza, como fez magistralmente com Killmonger, dando ao general dos Skrulls um propósito pelo qual lutar. Um propósito pelo qual você também lutaria e faria o mesmo que ele.
Ambientado nos anos 90, vamos ver internet discada, Nirvana, REM, Garbage e outras relíquias e clichês que foram bem encaixados no roteiro. Torna o filme divertido e nostálgico para quem tem mais de 30 anos.
Capitã Marvel chegou a passar nas últimas semanas por campanhas de negativação por uma suposta “doutrinação feminista” que, a meu ver, é inexistente. Há piadas machistas no filme. E elas são simplesmente ignoradas, de modo a demonstrar o quão antiquadas são e que não mais se encaixam no tempo em que estamos.
Essa fuga do debate político me incomodou porque eu esperava mais. O discurso político em Pantera Negra fez dele um filme histórico. Denegar ele de Capitã Marvel tirou da Marvel Studios a chance de fazer história outra vez. O propósito do filme foi se encaixar no cronograma do UCM e, com algumas pequenas falhas (só quem prestar muita atenção vai perceber!), cumpre bem este papel.
Não será lembrado como um filme histórico como Pantera Negra. Nem como um filme épico como Guerra Infinita. Mas certamente é uma obra especial e cheia de méritos do UCM.
De brinde, prepare-se para vibrar com a homenagem ao mestre Stan Lee. Ficou linda!