César Cielo, com somente 24 anos, já é o maior nome da história da natação brasileira. Suas marcas e conquistas como principal velocista da atualidade em nível mundial transformaram-no em um prodígio do desporto nacional. Mas se por um lado Cielo possui merecida admiração do público pelo que vem fazendo desde as Olimpíadas de Pequim, por outro ele deve ser tratado como um atleta qualquer pelos organizadores das competições que participa. Ser ídolo não é motivo para garantia de nenhuma regalia ou plus dentro dos campeonatos.

O caso de dopagem de Cielo confirmado na última sexta-feira – quando da disputa do Troféu Maria Lenk (onde ele conquistou cinco ouros e uma prata) em maio passado – acende o sinal amarelo na carreira do nadador. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) ter dado apenas uma advertência aos envolvidos e retirado suas premiações por força de lei aparenta ser uma punição demasiado leve (praticamente inexistente!) e que, também, não os trata de maneira indene com atletas que viveram situações idênticas.

Por uso da mesma substância que Cielo, a furosemida, a ginasta Daiane dos Santos ficou cinco meses longe das competições. Em situação similar, quando a ingestão do doping foi atribuída por erro/contaminação farmacêutica, o futebolista Dodô foi punido pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) com dois anos de gancho. O que aproxima ainda mais o problema de Dodô com o de Cielo foi que, em um primeiro momento, a punição nacional foi branda, sendo ampliada somente em julgamento internacional. E a CBDA, que somente advertiu, já encaminhou o caso para a Federação Internacional de Natação (Fina), que pode acatar a advertência ou reformar a sentença com uma punição mais rigorosa.

Cielo apareceu em coletiva para dizer que “quem não deve nada teme”. Leu um discurso imenso onde exaltava a si mesmo e tentava mostrar sua boa índole, certamente escrito por algum assessor que buscava evitar um arranhão mais profundo em sua imagem. Aparentou, no entanto, uma tentativa artificial de justificar o injustificável; uma resposta pronta, na ponta da língua, de quem parecia esperar por tal situação.

Se outros atletas foram punidos, pagaram pelo erro e depois voltaram a competir, é justo que Cielo passe pelo mesmo caminho. Ele não é melhor e nem diferente dos demais! É necessário, também, que Cielo assuma a responsabilidade pelo que ingere. Botar a culpa na farmácia não livrou Dodô de seu calvário, pelo contrário: agudizou a crise.

Leiam nas entrelinhas: Alain Bernard, maior rival de Cielo nas piscinas, disse que o doping do brasileiro era uma má notícia para a natação mundial e que a punição da CBDA foi branda…

Publicado originalmente no Portal Extra-AP.