
Contra o Flamengo, o Vasco faz o “Clássico dos Milhões” e o Botafogo o “Clássico da Rivalidade”. Contra o Fluminense, o Vasco faz o “Clássico dos Gigantes” e o Botafogo o “Clássico Vovô”. Entre si, nada mais justo que Vasco e Botafogo façam o “Clássico da Amizade”: um dos times sempre é muito bonzinho com o outro.
Dez anos atrás, pelo Campeonato Carioca, o Vasco de Juninho Paulista, Romário e Joel Santana fez 7×0 no Botafogo. 4×0 foi o placar aplicado pelo Vasco sobre o mesmo Botafogo, pelo Brasileirão de 2004 – ano em que o Vasco lutou contra o rebaixamento até a penúltima rodada, quando acabou retirando o título do Atlético-PR.
Dois anos depois, também pelo Brasileirão, foi a vez do Vasco ser o bonzinho: 4×1 para o Botafogo. No Brasileiro seguinte, outra goleada botafoguense: 4×0, no jogo em que Dodô foi flagrado no antidoping. Mais goleadas no confronto de lá pra cá? Vasco 4×1 e Botafogo 4×0, ambos pelo Carioca de 2009, e Vasco 6×0 pelo Carioca de 2010 – que terminou com o Botafogo como vencedor dos dois turnos.
Os 4×0 do último domingo pelo Brasileirão, que poderiam ser seis ou sete, juntam-se a mais um capítulo dessas vitórias recheadas de gols de um dos rivais contra o outro. E o clássico conserva tão bem o seu nome como “da amizade” que os vascaínos nem acordaram de mau humor no dia seguinte, apesar da surra categórica que o Botafogo aplicou.
Loco Abreu e o lateral Cortês foram os nomes da partida. Com três gols no primeiro tempo, dois marcados pelo uruguaio, o Botafogo voltou depois do intervalo somente para administrar sua vantagem – o Vasco nem tentou esboçar (mais) uma virada. E o time de General Severiano poderia ter feito mais do que o gol solitário de Herrera nos acréscimos da segunda etapa: Fernando Prass e a trave salvaram o Vasco de um déficit de gols maior.
Diego Souza, que vinha numa crescente de bons jogos contra Atlético-MG, São Paulo e Santos, fez uma partida ruim e conseguiu uma expulsão gratuita, por reclamar do juiz ao receber o cartão amarelo. Irregular e instável psicologicamente: é assim que continua, aos 26 anos, Diego Souza. Por isso não chegará na Seleção Brasileira tão cedo… Um ícone para ilustrar o domingo carioca? É só pensar, numa cozinha qualquer, uma frigideira, com um bacalhau dentro, sendo frito no fogão.
Publicado originalmente no Portal Extra-AP.