Eu não gosto quando um time perde e põe a culpa na arbitragem. É uma atitude pequena. O árbitro de futebol é humano, erra como o goleiro, como o atacante e como o técnico. O erro de arbitragem faz, portanto, parte do futebol. Só vou levar em conta esse tipo de protesto quando vier de uma equipe que antes, beneficiada pelo erro de um arbitro, sugeriu a remarcação do confronto por conta do equívoco do juiz. Todos são prejudicados e ajudados por erros de marcação; então ou se protesta por ambos, ou por nenhum!

Achei ridícula a crítica à bola feita na Copa da África do Sul, que transformou a Jabulani em personalidade. Antes da Jabulani vieram Teamgeist, Fevernova, Tricolore, Questra, Etrusco Unico, Azteca, Tango e Telstar: nenhuma delas com polêmicas. Foi uma crítica do marketing esportivo. Repare que atletas da Adidas (fabricante da bola) como Kaká elogiavam-na e outros, patrocinados pela rival Nike, criticavam a Jabulani. O que, sem dúvidas, descredibiliza ainda mais os comentários. E com a tal “patricinha de supermercado” em campo, não deixou de vencer o melhor time, a Espanha. Então a bola não fez a diferença, mas sim a qualidade!

Agora chegamos em 2011. O Brasil foi eliminado da Copa América após fazer sua melhor exibição ofensiva no torneio. E os jogadores da Seleção perdem a chance de enaltecer essa característica e – justamente – desculparem-se pelo orangotango das penalidades para criticar o gramado? Pífio!

No mesmo gramado o Brasil jogou bola por 210 minutos (empatou também em 0x0 contra a Venezuela na estréia) e não reclamou; aí vai culpá-lo no final? Se tivesse vencido nos pênaltis, reclamaria? E se a grama era mesmo tão ruim, como o Paraguai conseguiu converter 66% de suas três cobranças?

Cabe frisar que Elano jogou em gramados verdadeiramente ruins na Libertadores que acabou de vencer. Que André Santos disputou uma Série B pelo Corinthians e passou por campos horrorosos. Que Thiago Silva e Fred treinaram diariamente nas Laranjeiras, campo do Fluminense, outro piso de qualidade crítica. E aí? Desaprenderam a chutar em gramados ruins, supondo que o gramado do Estádio Ciudad de La Plata fosse realmente inadequado?

Estamos levando as justificativas para a desclassificação a um nível de comicidade jamais visto. Antes era o juiz, depois a bola, agora o gramado. Alguém no time do Brasil seria capaz de abrir a boca (como faz o Marcos no Palmeiras), admitir que o time não foi eficiente e se desculpar com o torcedor?

Claro que o Brasil criou muitas chances. Seria uma desclassificação bem entendida se o adversário fosse uma Espanha, uma Argentina, uma Alemanha. Mas foi o Paraguai! Conseguir ser desclassificado por uma equipe que não venceu ninguém na competição – e perdendo quatro pênaltis – é um feito difícil de digerir.

Já vimos coisa parecida em 2001 quando Honduras fez 2×0 no Brasil. Mas aquele time do Felipão, com Guilherme e Juninhos, não era o melhor do Brasil. E Felipão se vacinou no ano seguinte ao vencer a Copa do Mundo.

Resta a Mano Menezes pegar a mesma dose de vacina em 2012, quando irá até Londres. Se o time for “cambaleante” nas Olimpíadas, então é melhor ele admitir que aquilo que não fez em dois anos não fará nos dois que faltarão até 2014 e passar o cargo para outro.

A idéia de Seleção do Mano é boa, mas na prática não funcionou. A desclassificação para um time que não venceu ninguém e com 0% de aproveitamento em quatro penalidades, sinceramente, é algo para ser criticado.

Publicado originalmente no Portal Extra-AP.