
Primeiro dizer que eu sobrevivi aos spoilers. Consegui assistir Deadpool 2 ontem (19/05) sem ver/ler nenhum deles antes disso.
Agora preciso dizer a verdade: eu não gostei do filme.
Deadpool, em 2016, foi um “marco” pelo uso de metalinguagem, festival de referências e ironias etc. A Fox acertou em o utilizar como o Ready Player One da Marvel.
E acertou ainda mais na ousadia: priorizar o público mais maduro e lançar o filme com censura 16 anos, podendo fazer uso livre de piadas inconsequentes e das cenas de violência necessárias (sim, necessárias!) para fazer com que Deadpool funcionasse. Afinal, estamos falando de um caçador de recompensas cheio de humor negro, e não de um bom moço altruísta tipo o Superman.
O filme de 2016 arrecadou bem, mesmo com a censura elevada, e possibilitou o segundo filme lançado nesta semana. Uma grande expectativa foi criada (e o marketing do filme está muito bem feito), ainda mais levando-se em conta o excelente trabalho da Fox no ano passado com Logan (um dos melhores filmes de super-heróis já feitos, senão o melhor).
Mas eu confesso que não vi nenhuma das minhas expectativas serem atendidas.
Deadpool 2 se resume em um emaranhado de repetições das piadas, fanservices e cenas trash do primeiro filme, mas elevadas ao quadrado.
É legal, na primeira vez, ver ironia nos créditos de abertura com a produção do filme. Pela segunda vez, já não dá pra rir do mesmo jeito.
É legal ver o personagem se evadir do roteiro e conversar com o público sobre a história em tela, mas esse recurso levado à exaustão destrói a sensação de autenticidade e a substitui por uma repetitividade monótona.
O filme deixa uma má impressão de se arrastar até o final e de que poderia ter uns 40 minutos a menos de duração sem gerar nenhum prejuízo ao seu roteiro. É a mesma sensação de Thor Ragnarök quanto ao tempo de filme e execução da história, mas Thor é leve e descontraído e Deadpool 2 carrega o peso de mostrar somente mais do mesmo.
A sensação de ver o personagem numa autoflagelação, deprimido por uma grande perda que tem no início do filme, com menções ao seu mau cheiro e ainda tendo que ver ele urinando nas calças, dá uma sensação parecida com a de ler “O Cortiço”. E eu fui ao cinema esperando ter, pelo menos, a sensação de ler Deadpool ou Justiceiro.
As ações de mutilação, laceração, esquartejamento etc caem na banalidade. Eventos dramáticos como estes são realizados como se fossem piada e isso meio que deixa as consequências do filme em suspensão, sem criar nenhuma empatia maior com os resultados do decorrer da história.
Não há cenas marcantes deste filme. Nenhuma splash page. Talvez apenas a sequencia da Dominó dirigindo o caminhão/ônibus seja lembrada pelos próximos… três meses.
Não há um vilão para o filme que rivalize com Deadpool, como foi o caso do Ajax/Francis. Nem Cable é vilão, nem Firefist é vilão. E se formos considerar o diretor da clínica como o vilão do filme (e no final das contas, ele é isso), se trata do vilão mais fajuto da história dos filmes de super-heróis – superando o sofrível Trevor Slattery de Iron Man 3.
Um dos acertos foi o Josh Brolin como Cable. Ele encarnou bem a seriedade e a frieza de um personagem que perdeu tudo que tinha e teve que voltar ao passado para salvar o seu presente, além de ter resolvido o principal problema do filme (no final). Mas isso é muito pouco para fazer Deadpool 2 aquilo que o filme prometia ser.
Eu diria que se você estiver muito curioso pra ver o filme, que vá. Até que dá pra rir de uma ou outra coisa. Mas se não estiver, esperar pra ver em DVD ou em streaming não te significará uma grande perda.
De 0 a 10, apenas uma nota 6. E não vejo condições de existir um Deadpool 3. Menos pelo desmonte da Fox; mais pela falta de qualidade do filme. Talvez uma sequência da X-Force (com uma missão decente!) funcionasse melhor.