Assim como todo cosmologista passa horas olhando para o céu, gastei uma quantidade considerável do meu tempo observando os 23 nomes indicados para a Bola de Ouro da Fifa. Nunca o prêmio foi tão prestigiado, organizado e democrático; mas também nunca foi tão previsível. Quais constatações tirei dessa lista?

A primeira é a mais óbvia: a disputa de melhor jogador será pelo segundo lugar, onde correm como favoritos Cristiano Ronaldo e Xavi. Messi, o mais encantador futebolista que o mundo vê desde Maradona, reina absoluto nos gramados e está – hoje – num patamar inalcançável para qualquer um dos demais.

Outra é que o Barcelona, equipe mais bem montada desde a Holanda de Rinus Michels, pode incluir em seu quadro de feitos impressionantes o fato de contar com oito dos seus atletas entre os 23 mais cobiçados do planeta. O Barça até perde ou empata alguns jogos, mas só para lembrar a todos que a perfeição inexiste. Aquilo que se encontra mais próximo do ideal de perfeito é o Barcelona.

A Espanha, atual campeã mundial e europeia, tirou qualquer dúvida sobre qual é a melhor seleção do planeta com sete indicados. Já Neymar, que passou de promessa a monstro no ano passado e em 2011 consolidou sua condição de craque, assegurando inclusive a titularidade com a camisa da Seleção, surpreendeu muitos com sua indicação. Mas não é algo inédito ver um jogador em solo brasileiro entre os 23 melhores do mundo. Raí, em 1993, e Romário, em 1996, ficaram na décima posição quando atuaram no Brasil, por São Paulo e Flamengo, respectivamente.

Já a Seleção Brasileira, que naufragou na Copa América e não convenceu ninguém de que vencer Gabão e Gana lhe dá consistência, não tem nenhum motivo para se credenciar como favorita da próxima Copa. Os melhores jogadores do mundo já não são mais os nossos e as duas únicas indicações que tivemos – Daniel Alves foi o outro indicado – mostra o quão abaixo dos anos anteriores estamos.

O que dizer de tudo isso? Que Lionel Messi levante, merecidamente, seu terceiro troféu consecutivo. Aos que assistem os jogos do Barcelona, que gravem as exibições desse time em vídeo pois a história do futebol está sendo escrita por ele e não se verá nada igual tão cedo. Que a Espanha entre como favorita na Euro 2012, mas sabendo que em caso de fracasso perderá essa condição para 2014. Ao futuro papai Neymar, que amadureça. Ele está numa lista de modo prematuro e isso pode elevar (ainda mais) seu ego infanto-juvenil, prejudicando-o como já aconteceu em seu atrito com Dorival Júnior. O melhor a fazer é contentar-se como coadjuvante na disputa e buscar um dia ser protagonista. A receita para isso passará pelo abandono do seu vício de cair em campo com facilidade. E ao Mano Menezes não tenho o que dizer. Apenas externalizo que diante de toda a expectativa que se criou em torno da Seleção Brasileira para 2014… eu não queria estar na pele dele!

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 14.