
Cemitério de elefantes! Duas “verdades” gigantes morreram no jogo de ontem, válido pela 43ª Copa América: Messi não joga pela seleção de seu país e os argentinos não gostam dele.
Essas máximas, tolices repetidas e possíveis apenas pelo fanatismo de torcedor rival, foram humilhadas tanto pela recepção do povo de Córdoba à seleção e – principalmente – ao camisa 10 argentino; quanto pelo futebol que Messi desfilou em campo.
O adversário, a frágil Costa Rica, não é parâmetro, isso é verdade. Mas a atuação convincente trouxe à competição o melhor do futebol argentino ofensivo e criativo, que não havia aparecido nas duas primeiras partidas (e fez falta!). Se os donos da casa inspirarem uruguaios (que jogam hoje) e brasileiros (que entram em campo amanhã), a Copa América poderá voltar a ser um produto de entretenimento interessante – coisa que não foi nos seus primeiros duelos!
Mas para esse “despertar tardio” da anfitriã se tornar possível, muita coisa mudou no time armado por Sergio Batista. A mesma defesa que atuou contra a Colômbia jogou ontem, mas ainda com problemas. Pela direita, Zabaleta sobe ao ataque e ajuda na armação e tabelas; pela esquerda Zanetti não faz o mesmo, seus 37 anos não permitem 90 minutos percorrendo toda a faixa lateral do campo. Se por um lado isso deixa o setor defensivo menos vulnerável, por outro torna a progressão do time ao ataque torta.
No meio, dos três volantes presentes nos dois primeiros jogos (Mascherano, Cambiasso e Banega), somente o primeiro começou em campo, jogando mais recuado, na proteção da zaga. Gago ficou como segundo volante e subia para armar e finalizar (o que possibilitou o lance do primeiro gol), e Di María entrou como meia, trocando de posição e função constantemente com Messi.
O melhor do mundo ficava vez na armação, vez na ponta direita (seu setor favorito). E o ataque se completou com duas novidades: Higuaín de centroavante e Agüero pela esquerda. Faltou Carlos Tévez? Talvez. Mas o quarteto ofensivo funcionou bem, Messi criou chances e deu vários gols aos seus companheiros. 3×0 acabou até sendo pouco…
Taticamente a Argentina se recriou. Se anteriormente ataque e meio de campo não dialogavam, agora chegaram até a se mesclar com Di María indo à frente e Messi voltando para armar jogadas. Se antes o time de Batista dependia de valores individuais para engrenar, passou a funcionar em sua coletividade. E é justamente quando o jogo coletivo do Barcelona flui que o melhor de Messi aparece, como aconteceu na noite de ontem.
Caso o roteiro de hoje não sofra imprevistos, Chile e Uruguai vencem logo mais e aí teremos Argentina versus Uruguai no próximo dia 16. A Argentina, dona da casa, recuperou parte de seu favoritismo e entraria com melhor cotação. Mas por ter uma defesa frágil, o Uruguai dos bons Lodero, Cavani, Suárez e Forlán pode igualar a partida e transformar esse favoritismo numa mera peça decorativa.
Publicado originalmente no Portal Extra-AP.