
Certas reviravoltas só acontecem no futebol. No início da temporada o Vasco era portador de sua pior sequência de estréia na história e o São Paulo comemorava os cem gols de Rogério Ceni e a volta de Luís Fabiano. Agora o Vasco, campeão da Copa do Brasil, disputa dois títulos; e o São Paulo, de mãos vazias, já dá o ano como encerrado.
As torcidas de Vasco e São Paulo, que na década de 90 tiveram momentos de glórias em períodos distintos, podem reviver essa gangorra novamente, com um dos clubes entrando em baixa e outro em alta.
O Vasco que começou 2011 com Roberto Dinamite na berlinda, ressurgiu com contratações relativamente baratas e se tornou o favorito para vencer o Brasileirão. Conseguiu isso não por ter Diego Souza ou Juninho, mas por conta do grande craque do Vasco não ser Neymar, Ronaldinho ou Messi: o craque do Vasco é o seu grupo.
Do outro lado, fato notório que o São Paulo ganhou “tudo” nos últimos anos e depois desceu a ladeira. No período pós-Muricy do São Paulo, o clube vive um jejum de títulos e sofreu uma ressignificação diante dos adversários: deixou de ser bicho-papão e se tornou piada. Já no pós-São Paulo de Muricy, o técnico venceu outro Brasileirão e é atual campeão da Libertadores.
Os vascaínos passaram a navegar na direção dos títulos por terem feito o inverso do São Paulo: trocaram um gestor que estava no clube fazia mais de duas décadas e sentia-se dono da instituição. É por conta de um modelo de gestão arcaico, que está buscando alongar sua duração por interesses pessoais, que o São Paulo vai mal. Não adianta trocar o técnico ou o time todo se não houver alternância administrativa.
A lição que dirigentes precisam mudar para que o clube se reoxigene com novas idéias precisa ser aprendida pelo São Paulo. Existem duas opções: fazer isso enquanto está na primeira divisão ou esperar um vexame maior para depois fazer isso às pressas, como já aconteceu com os rebaixados Palmeiras, Corinthians e Vasco.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 13.