
De um lado o melhor do mundo Messi e o endiabrado Tévez. Do outro a dupla sensação do futebol brasileiro, Ganso e Neymar, com a companhia de Robinho e Pato numa nova versão do quadrado mágico. E reivindicando o mesmo destaque que argentinos e brasileiros, o melhor da Copa de 2010, Diego Fórlan, com os versáteis Cavani e Luis Suárez ao seu lado.
Os favoritos da Copa América estrearam e não empolgaram. Nenhum venceu. E a competição entre seleções mais tradicional do planeta – que estava banalizada quando acontecia a cada dois anos, passou a ocorrer a cada quadriênio e retomou parte de seu antigo prestígio – fica com uma interrogação entre qual equipe por ir mais longe.
Em todos os seis confrontos da primeira rodada, onde as doze participantes foram a campo, somente em dois houve lampejos de bom futebol. Paraguai e Equador, apesar do jogo sem gols, fizeram uma partida interessante; e a virada do Chile contra o México pode ser vista como o melhor duelo desse início de competição.
Só dois times venceram, Colômbia e Chile. Só um time marcou mais de um gol, o Chile. Só oito gols foram anotados, a média mais baixa desde que a competição passou a ser disputada no atual formato, em 1993. Para uma Copa América onde Argentina, Brasil e Uruguai levaram suas seleções principais (o que não faziam desde 1999), é muito pouco!
Cada favorito com seu erro. A Argentina pecou por divorciar meio campo e ataque, entrando com três volantes e deixando o mais avançado deles, Banega, ainda um tanto distante do trio ofensivo Messi, Tévez e Lavezzi. Quando corrigiu isso no segundo tempo, recuando Banega e colocando o meia Di María no lugar de Cambiasso, tomou um gol na bobeada de Banega e Romero, o que deixou o time nervoso. O empate com o golaço de Agüero, depois do gol que Marcelo Moreno desperdiçou aos 21, acabou sendo lucro.
O erro do Brasil foi a falta de encaixe entre as peças. A idéia de jogar num 4-2-1-3, com Paulo Henrique Ganso passando a bola aos atacantes, é realmente muito boa. Mas se trata, ainda, de uma utopia. Ganso só jogou uma partida pelo Brasil antes da de domingo. Como apostar tanto assim nele, ainda um jovem de 21 anos? Criar uma Ganso-dependência como projeto para o time, por mais que se tenha expectativa no futebol do santista, não é correto. E se Ganso e Neymar jogarem mal, como jogaram? Quem entra no lugar deles? Empatar com a fraca Venezuela, ainda mais por duas vezes seguidas, é um desastre!
Por último, o Uruguai insistiu nos passes longos e também não fez corretamente a ligação com seus atacantes, Suárez pela esquerda e Cavani-Fórlan trocando de posições entre a direita e o meio. Lodeiro, o meia que deveria abastecê-los, ficou distante dos homens de frente e os lançamentos da defesa para o ataque se tornaram frequentes. Não fosse o gol perdido por Fórlan, teria vencido.
Os três principais candidatos ao título jogaram com três atacantes. Todos pecaram por não fazer uma transição de bola satisfatória do meio para o ataque. E graças ao naufrágio dos seus esquemas táticos, a primeira rodada da 43ª Copa América teve um nível técnico decepcionante.
Publicado originalmente no Portal Extra-AP.