O futebol é o líder entre os esportes no país em arrecadação e potencial gerador de receitas, mas parece condenando ao endividamento eterno. Qual o porquê disso?

Apesar das inúmeras pormenorizações que possam existir para administrar um clube, que vão desde a manutenção dos funcionários até a formação de um grupo de atletas que possa conquistar títulos, a matemática tende a resumir isso de modo bastante prático: gastar menos do que se arrecada!

Ano passado as dívidas dos nossos 25 maiores clubes cresceu 16%, atingindo a marca de R$ 3,61 bilhões. Aumento este que se perpetua a cada ano e está prestes a transformar agremiações tradicionais como Atlético-MG, Vasco, Fluminense e Flamengo em insolventes.

Esse ano o Corinthians recebeu R$ 28 milhões pela transmissão de seus jogos no Brasileiro. Em 2012 esse número saltará para inacreditáveis R$ 110 milhões. Seria a solução para um clube que declarou em seu balanço mais de R$ 212 milhões em débitos?

Recentemente o clube paulista ofereceu R$ 90 milhões pela aquisição de um único jogador (Carlos Tévez), isso sem contar a parte salarial: e lá se vão 82% do montante! Como sanear-se financeiramente com atitudes desse tipo?

O problema dos clubes brasileiros não é a escassez de recursos. São eles quem mais arrecadam entre as instituições desportivas do país e ainda recebem benesses governamentais como a Timemania. A pedra no caminho é o amadorismo dos cartolas, que cometem genocídios financeiros: recebem uma receita X e comprometem 2X; quando passam a ganhar 3X, ampliam os gastos para 6X, sempre postergando a conta a ser paga aos futuros gestores, os quais herdam clubes quebrados.

O atual presidente do Corinthians assumiu uma instituição quase falida em 2007. Pareceu não aprender a lição e quer entregar o clube ao seu sucessor em situação parecida…

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 6.