Naquela tarde de 7 de setembro no Morumbi, o que menos interessava era o resultado do jogo. Parece insanidade dizer isso, ainda mais dadas as circunstâncias da partida entre São Paulo x Atlético-MG, com o time paulista disputando a liderança do Brasileiro. Mas não é.

Os 60.514 pagantes que foram ao Morumbi queriam presenciar as 1000 aparições de Rogério Ceni embaixo das traves do São Paulo. E, pra eles, que o restante dos 90 minutos se danasse! Uma das poucas páginas da história do futebol onde um atleta se tornou maior que o espetáculo coletivo que é o futebol.

Exatamente 21 anos após sua chegada ao clube, o goleiro tornou-se recordista em títulos conquistados, em partidas disputadas, marcou 103 gols e elevou-se à condição de maior ídolo da torcida. Quem foi à 1000ª partida de Ceni (na condição de são-paulino!) gostou da homenagem, da festa e do resultado – 2×1 para o tricolor, que dormiria líder do Brasileirão.

Tudo e mais um pouco dentro do São Paulo, faltou a Rogério sua afirmação na Seleção Brasileira, que quase conseguiu com Vanderlei Luxemburgo, mas perdeu por imaturidade. E depois, com Felipão e Parreira, teve a “infelicidade” de ver Marcos e Dida em momentos melhores – ao menos na opinião dos técnicos, o que deixou Ceni na suplência em duas Copas.

Rogério Ceni merece todas as homenagens que recebeu. É um atleta diferenciado, culto, com personalidade notável. Não é craque, mas é esforçado. E graças a esse esforço chegou ao posto que hoje ocupa. A vitória dele é marcada pelo profissionalismo e não pelo talento – um são-paulino atento sabe que, como goleiro, Zetti foi superior; mas como atleta e ídolo, Ceni supera até mesmo o lendário Leônidas.

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 10.