
A cena do goleiro Gustavo saltando e acertando um chute na coluna do vascaíno Elivélton, em jogo válido pela Taça BH de Juniores, transformaram-se no lance de vilania da semana.
De imediato, as reações. Na rede social Twitter, parecia justo aos internautas qualquer punição arbitrária e rigorosa, haja vista a indignação que tomou conta de todos que viram um jovem sendo agredido pelas costas por outro, e sem nenhum motivo. As imagens são claras.
No Vasco, a preocupação. O volante da base, uma das promessas do clube, sofreu ameaça de tetraplegia por suspeita de um trauma na cervical. No Sport, indignação e uma reação no calor do momento: a demissão do goleiro. A justiça, que não deixaria de aparecer dada a midiaticidade do fato, transformou a agressão em caso de polícia e indiciou Gustavo por tentativa de homicídio.
Gustavo errou e merece punição. Mas é justo transformar um menino de 18 anos num marginal e requerer para ele a pior das penas?
E Gustavo é responsável sozinho pela sua “atitude de marginal”? Que seja revista a forma como os desportistas são formados, pois esse tipo de situação poderia ser evitada com educação e formação humanística, que os clubes – ao formarem atletas – deveriam lhes proporcionar.
Eis o benefício maior do esporte ao formar atletas: caso eles não sirvam para as competições, que sejam bons para a vida. Não é de demissão que Gustavo precisa, mas de tratamento e – dentro da razoabilidade jurídica – da devida punição, para aprender que errou. Demitir o jovem e dilapidar sua serventia vai somente deixá-lo à margem da vida, flutuando no nada, apto a explodir de novo e cometer outra bobagem. É um novo Elivélton que queremos?
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 7.