Acredito sinceramente que estamos cometendo erros grosseiros na crítica a Bolsonaro, o que só serve pra descredibilizar/folclorizar a oposição à sua política e fortalecer a tese de “perseguição gratuita” contra ele.

Alguns exemplos:

  1. Sinal de arminha com o dedo: qual o sentido de criticar isso? Uma bobagem sem tamanho dizer que quem faz essa arminha prega a violência, intolerância ou coisa do tipo. Essa mesma arminha com os dedos indicadores, por exemplo, é usada na animação Padrinhos Mágicos como sinônimo de flerte. Falar disso só serve pra dar mais exposição à imagem dele;
  2. Bloqueios que ele faz no Twitter: outra coisa sem sentido. O perfil de rede social é dele e ele atua nela como quiser. Você, que o critica por isso, certamente bloqueou algumas pessoas indesejáveis em suas redes sociais. Bolsonaro tem o mesmo direito que você. Fora que o canal oficial de comunicação do governo naquela rede social não é o perfil particular do Bolsonaro, é o @planalto;
  3. Camisa da Michelle Bolsonaro: e daí se ela quis usar uma camisa com a frase da juíza para Lula? Usem camisas provocativas a Bolsonaro também. O direito de livre expressão e crítica é constitucionalmente garantido a todos.

Acho que a melhor forma de agir sobre essas e outras questões igualmente menores é ignorá-las.

Bolsonaro tem que deixar de sofrer críticas morais ou por comportamento (o direito de ser idiota é sagrado e não deve ser tirado de ninguém!) e passar a sofrer críticas por sua plataforma política, que atacará os direitos da imensa maioria da população.

Quem está desempregado ou na miséria do trabalho intermitente quer saber de melhorar sua condição vida, não do comportamento do Presidente. Mostrar que a situação não ficará melhor com a política de Guedes/Bolsonaro é o caminho mais eficaz e eficiente para se estruturar uma oposição que consiga ser ouvida e entendida pela população.

Caso não lembrem, Bolsonaro teve mais de 57 milhões de votos (55% dos votos válidos), 75% da população tem apoiado as escolhas dele para os ministérios (Ibope) e 65% está confiando que a economia vai melhorar (Datafolha). Não dá mais pra agir no amadorismo…