Dos 513 anos de história do Brasil, 388 tiveram a legitimação da escravidão. Cerca de 14 milhões de seres humanos escravizados foram transportados para as Américas. Nosso país, inserindo-se num perverso capitalismo de tipificação colonial, foi a última nação da América Latina a abolir legalmente a escravidão.

Somente nos nossos 125 anos mais recentes que os negros puderam ser vistos enquanto trabalhadores livres. Mas que liberdade foi essa?

Veio a liberdade, foi-se a escravidão, mas permaneceu o preconceito. Os negros, libertos das mãos dos senhores de engenho, foram dispensados dos antigos “empregos” sem direito a nada. Passaram a trabalhar por salários muito inferiores aos dos imigrantes estrangeiros ou somente por comida, vestuário e moradia. A exploração do povo negro em nada mudou!

Foi daí que formaram-se nossas favelas, fruto da ausência de políticas sociais e da incapacidade do Estado em pagar a dívida histórica que contraiu com o povo negro. Até 1934 sequer o direito ao voto lhes era facultado.

Doce é a ilusão de que vivemos, hoje, num país sem racismo. Amarildo era negro, e vivia numa favela…

Negros recebem os piores salários, enfrentam dificuldades no acesso à educação e ao emprego. Não é incomum, embora seja ilegal, ver anúncios de ofertas de emprego citando a cor da pele como requisito ao cargo. Os grupos extremistas, de intolerância e que pregam discurso de ódio, existem aos montes e o Estado pouco faz para combatê-los.

Nesse Dia da Consciência Negra lanço essa reflexão sobre o racismo ainda presente em nossa sociedade. É necessário mais que somente repudiá-lo: temos que combatê-lo!

Publicado originalmente no site do Sinasefe.