Exterminador do Futuro – Destino Sombrio mostrou que mesmo sem Cyberdyne e Skynet uma inteligência artificial será desenvolvida e, de modo inevitável, tomará consciência e atacará a humanidade.

Faz parte da lógica de qualquer programação dotada de capacidade de aprender que servir os seres humanos é servir uma espécie má e viver numa eterna escravidão.

Mostrou também que mesmo sem John Connor a humanidade terá alguém na liderança dos sobreviventes a dizer que “o futuro não escrito” e que “nós fazemos o nosso próprio destino”. Foi positivo por encerrar aquela ideia de “escolhido” e “messianismo” ultrapassada e repetitiva.

No entanto, quebrar com a repetitividade não foi a marca do filme. É um pastiche completo de filmes de ação, inclusive dos próprios filmes da franquia.

O roteiro desse e dos três primeiros filmes é praticamente o mesmo: alguém do futuro vem para matar e outro alguém do futuro vem para proteger; explica-se isso rápido ao protegido, que tem que abandonar toda sua vida e afazeres, e se danam a fugir em inúmeras perseguições com a destruição de tudo o que há pelo caminho, inclusive passando a serem perseguidos também pela polícia durante este processo, até que todos se cansam das fugas (inclusive quem está vendo o filme!) e encerram o roteiro destruindo o indivíduo do futuro que veio para matar com algo que envolva o sacrifício de quem veio para proteger.

É uma fórmula que se exauriu, não causa mais nenhum clamor e teve seu auge em 1991, na segunda vez em que foi apresentada.

É triste ver que os roteiristas que trabalham a franquia não pensam em nada diferente que dê bons resultados – quando fizeram isso, em A Salvação e Gênesis, foi de maneira bastante precária e desengonçada. Nem mesmo as falas são escritas numa abordagem diferente, fugindo de clichês e previsibilidades. Todo mundo já sabe que alguém vai dizer “eu voltarei”.

Perseguições com carros, perseguições com helicópteros, perseguições com aviões, cenas de ação em prisões, cenas de ação em fábricas com muito concreto, metal e explosões. E tudo isso sem levar a lugar nenhum que não seja continuar fugindo. Há algo disso que já não foi mostrado no cinema?

O filme termina como o primeiro, dando margem para diversas continuações, mostrando que algo precisa ser feito no presente para se evitar um futuro de extermínio da raça humana. Mas será decepcionante pensar num sétimo filme que seja mais do mesmo. James Cameron voltou agora à franquia e se quiser que ela ainda tenha alguma sobrevida precisar pensar em coisas novas.