O Corinthians não está no topo da tabela por ser “o” Corinthians, mas sim por ser organizado e competente. Até pelo fato de que postulados como Corinthians é Corinthians, Flamengo é Flamengo ou Jota Andrade é Jota Andrade nunca serão utilizados por mim, não gosto de sentenças vazias. E não se usa como definição aquilo que se está definindo!

Hoje, na final da Copa América, o brasileiro torcerá pelo seu time, que estará jogando na Série A do Brasileirão. O Corinthians, por exemplo, vai a campo no mesmo horário que Uruguai e Paraguai, enfrentando o Cruzeiro no Pacaembu.

E o time paulista, que lidera com folga o Brasileirão e vai ser testado sem Liédson e Júlio César, está em alta por ser ofensivo, por ter dado certo no que a Seleção Brasileira não deu: fazer um meio campo com um armador e dois volantes interagir com os três homens do ataque.

Quem vê o time de Paulinho, Ralf e Danilo servindo William, Jorge Henrique e Liédson liderar o Brasileiro com folga, dono de uma campanha quase perfeita, pára e pensa: Tite armou bem o time!

Mas a idéia do Tite é a mesma da Seleção com Ramires, Lucas Leiva e Ganso servindo Robinho, Neymar e Pato. E os jogadores da Seleção, posição por posição, são – sem dúvida – superiores aos do Corinthians.

Como num lugar a aplicação se dá com maestria e noutro foi um desastre quase que completo? Entrosamento, tempo de preparação, desconhecimento dos jogadores entre si… muitos fatores podem ser enumerados, embora figurem todos no campo especulativo. Seja lá qual for, só não cometamos um erro: não tratemos como inimigo o esquema tático ofensivo que Mano Menezes usou, pois ele não é!

Se for um erro, como o Corinthians voa rumo ao seu pentacampeonato e deixa o G19 comendo poeira?

No futebol o resultado ruim já sepultou muita idéia boa e já fez monstrengo ser convertido em referência: não é momento de repetir isso, é um pensamento que só empobrece o esporte. O Brasil trás na sua bagagem um King Kong penal, mas não pode abrir mão de suas características por conta de um resultado inicial ruim.

Insistir, lapidar, aprimorar e fazer funcionar essa idéia de Seleção é preciso. Quando as peças encaixarem – e parece ser questão de tempo, de treino, de sequência – o time de amarelo vai fazer o mesmo que faz o alvinegro paulistano: atropelar quem vier pela frente. Vale a pena dar crédito. Cornetar é justo, é direito e cultura de torcedor; mas dizer que nada presta e tudo está errado é exagero!

A Copa América termina hoje? Sim.

Depois de 25 partidas e, até aqui, a menor média de gols de toda a história (2,04 gol por jogo), com favoritos como Argentina e Brasil caindo ainda nas quartas-de-final e decepcionando muitos, vamos conhecer o Campeão.

Paraguai depois de 32 anos ou Uruguai após 16? Injustiça se não der Uruguai, dono do melhor futebol nessa fase final, superando-se contra a Argentina e dominando o Peru no confronto seguinte. Injustiça se der Paraguai, que tem um time pior, não mostra condições de fazer nenhuma “escola” com a forma que atua, passou em branco no placar por três dos cinco jogos (está 245 minutos sem fazer gols) e não venceu ninguém.

Pelo bem do esporte, que dê Forlán, Suárez e Álvaro Pereira; o contrário disso representará a derrota do futebol.

Publicado originalmente no Portal Extra-AP.