
Nem bem acabara a Copa América, jogadores e comissão técnica do Uruguai ainda apreciavam o champagne. Para minimizar o fracasso brasileiro estampado no enaltecimento da escola uruguaia, Mano Menezes, na sede da CBF, criava um fato alternativo: anunciava novos 23 nomes para jogar um amistoso contra a Alemanha, em Stuttgart, no dia 10 de agosto.
Nem tão novos assim. Entre os 23 da Copa América, 17 permanências: Júlio César, Victor, Maicon, Daniel Alves, André Santos, Lúcio, Thiago Silva, David Luiz, Lucas Leiva, Ramires, Elias, Paulo Henrique Ganso, Lucas, Alexandre Pato, Fred, Neymar e Robinho.
Nas seis trocas, saíram Jefferson, Luisão, Adriano, Sandro, Elano e Jádson para entrar Dedé, Ralf, Luiz Gustavo, Fernandinho, Renato Augusto e Jonas.
O que pensar disso? Que a base do time foi mantida por Mano estar convicto que sua idéia precisa de sequência para dar certo. É um bom sinal.
Mas toda convocação da Seleção tem suas polêmicas e contestações. Quais são as da vez?
Júlio César, o bom goleiro do Internazionale, tem falhado após quatro anos e meio de bons serviços prestados. Merece seguir no grupo, pois tem ótimo nível, mas se as falhas persistirem é justo que perca a titularidade.
Lúcio terá 36 anos em 2014. Com nomes como Thiago Silva, David Luiz, Miranda, Dedé, Alex Silva e Breno disponíveis (só pra citar alguns), o capitão deve mesmo continuar sendo convocado? Precisamos de um Zanetti em nossa Seleção?
Ainda sobre a zaga, o vascaíno Dedé, uma das novidades na lista, recebe uma chance merecida. Que faça bom proveito dela, pois sua demonstração de alegria com a convocação foi nítida. E em tempos que muitos falam que o jogador que serve na Seleção não tem mais amor à camisa, isso pode fazer muita diferença…
Hernanes e Marcelo seguem fora. O caso Marcelo, que parece ter sido por episódio de indisciplina, Mano Menezes indica que não superou ainda. Quanto a Hernanes, que recebeu condição de titularidade contra a França e – por ser expulso – não mais foi chamado, o que há? Num time onde falta o chute de fora da área no repertório, é sábio abrir mão do pastor?
A novidade da vez vem pelo meio: Luiz Gustavo. Volante que esteve em Alagoas, atuando por Corinthians-AL e CRB, jogou pelo Hoffenhein entre 2007 e 2010, chegando ao Bayern de Munique em janeiro deste ano após pagamento de € 15 milhões. É uma aposta de Mano, resta saber se será algo ao estilo Dudu Cearense ou Felipe Melo.
Jádson foi contestado ao ser convocado para os jogos contra Holanda e Romênia. Ficou no grupo da Copa América e atuou durante os 45 minutos iniciais da segunda partida, contra o Paraguai. Entrou na vaga de Robinho, fez gol e foi sacado no intervalo. Depois não foi mais utilizado na competição e acabou esquecido na convocação, trocado pelo seu parceiro de clube Fernandinho. Se alguém entendeu isso, parabéns. Eu fiquei perdido quanto ao critério adotado.
Ralf recebeu merecida chance pelo que vem fazendo no Corinthians. Seu companheiro Paulinho e os santistas Arouca, Henrique e Ibson podem ser bem observados também. As opções de volantes são tantas no momento que o Brasil poderia suprir duas ou três seleções com nomes de qualidade na posição.
E no ataque, tudo conservado, com o ganho do nome de Jonas. Não dá pra cobrar Adriano ou Luis Fabiano, que sequer estão atuando. Ronaldinho Gaúcho, depois da partida contra o Santos, vai começar a inserir uma dúvida na cabeça de Mano. Mas e Hulk? E Nilmar? E Kléber? Estes nomes são piores que Jonas e Fred?
E lá vai o Brasil para mais um desafio. Se ninguém se machucar daqui para o dia 10, serão estes os 23 a desafiar a sempre eficiente Alemanha na casa deles. É bom lembrar que dos jogos realmente difíceis que fez, contra Argentina, França e Holanda, Mano Menezes não venceu nenhum. E agora, será que vai dar samba?
Publicado originalmente no Portal Extra-AP.