
A manchete desse texto poderia ser “Time pronto 3×2 Time em projeto”. Mas como a Seleção Brasileira parece não sair do lugar no quesito evolução… sem delongas, vamos ao que interessa:
Joachim Löw, atual técnico alemão, está na nationalelf desde 2006 como treinador, tendo chegado dois anos antes como assistente de Jürgen Klinsmann. Já são duas Copas do Mundo de experiência! O Brasil, que viu Mano Menezes estrear como técnico 366 dias atrás, vive um momento ainda de transição, com esta se dando em passos lentos…
Resultado óbvio, previsível até: vitória dos mandantes, do time já construído. Foi o 21° confronto entre os dois selecionados nacionais na história, com a Alemanha chegando em sua tímida quarta vitória – o Brasil venceu 12 e cinco partidas terminaram empatadas.
O 0x0 do primeiro tempo mostrou uma Seleção Brasileira errando muitos passes (principalmente com Ramires) e uma Alemanha – como de costume – bem organizada taticamente, chegando muitas vezes com perigo em chutes de fora da área.
Faltaram penetrações na área e finalizações mais próximas do gol? No segundo tempo, o time de Joachim Löw tratou de resolver isso: Götze cruzou para Toni Kroos e Lúcio derrubou o meia do Bayern de Munique dentro da área: pênalti. No minuto seguinte, Schweinsteiger chutou na direita, Júlio César caiu na esquerda, 1×0 aos 14 do segundo tempo.
Demorou sete minutos para a Alemanha ampliar, numa bela troca de passes entre Schweinsteiger e Klose, que serviu de parede entre os zagueiros para o autor do primeiro gol encontrar Götze dentro da área, que driblou Júlio César e aumentou. Passe cirúrgico, diga-se! Centímetros para a esquerda, a bola não chegaria em Götze; centímetros para a direita, seria interceptada por Thiago Silva.
Aos 23, a primeira alteração do Brasil: saiu o titular Fernandinho e entrou o camisa 20 Paulo Henrique Ganso, que, junto com Neymar, desfalcou o Santos no jogo de ontem pelo Brasileirão. Alguém entendeu a opção de Mano Menezes? Nem ele mesmo…
Sem Ganso, o time perdeu por 2×0. Com Ganso, o time venceu por 2×1. Robinho, de pênalti aos 26 (que nostálgico ver o Brasil marcando um gol de pênalti, não é?), diminuiu. Schürrle, aos 34, fez 3×1 para os alemães, num erro bisonho de André Santos. E Neymar, aos 47, marcou o dele para se juntar a Pato como artilheiro da Seleção na Era Mano Menezes, com seis gols.
Perder para a Alemanha, jogando em Stuttgart, é uma tragédia? Não, não é. É um resultado normal para qualquer seleção, a Alemanha tem uma equipe forte. O problema é que Mano Menezes, em 14 jogos, enfrentou quatro adversários de verdade, com peso e tradição futebolística: Argentina, França, Holanda e – agora – a Alemanha. O retrospecto dele é lastimável: três derrotas e um empate, este sendo em casa e sob vaias.
E agora, Mano?
O trabalho de renovação de Mano Menezes não é ruim, seria injustiça dizer isso. A idéia dele de Seleção Brasileira tem suas virtudes. Mas os resultados não acontecem e isso pesa negativamente. O projeto em andamento falhou na Copa América e continua falhando nos amistosos. Até quando haverá paciência da torcida? Qual a extensão do crédito de Mano Menezes?
As escolhas que Mano faz são, por vezes, infelizes. Carecem de critério até. Como Jádson – contestado quando convocado – pode ser sacado do time depois de começar a engrenar? Como Marcelo (Real Madrid) e Hernanes (Lazio) ficam fora de um time deficiente na lateral-esquerda e sem boas opções de chute de fora da área? Como Ganso pode ser tratado como um dos tripés de seu projeto de renovação e depois ficar no banco para o recém-convocado (e fraco) Fernandinho? E o que Thiago Neves e Ronaldinho precisam fazer para voltar a ter chances?
Uma coisa tem que ser dita: a produção de jogadores no futebol brasileiro, atualmente, não é das melhores. Alemanha, Argentina e Espanha tem produzido bons valores individuais em maior fluxo que o Brasil. Mas se não temos hoje bons jogadores em abundância – como tínhamos cinco anos atrás – qual a razão para se vaticinar a não-necessidade de Kaká e Ronaldinho Gaúcho nas convocações?
O projeto é para a Copa de 2014? Isso é dito e repetido como muleta para sustento dos maus resultados, mas se é mesmo visando 2014, o que Lúcio faz no time? Alex Silva, Breno, David Luiz, Dedé e Miranda – só pra citar alguns zagueiros mais jovens que o capitão – não são confiáveis para jogar ao lado de Thiago Silva?
Faltam três anos, doze estádios e uma seleção para a Copa do Mundo de 2014.
Retrospecto de Mano na Seleção
- 10/08/2010: Estados Unidos 0x2 Brasil (amistoso)
- 07/07/2010: Barcelona B 0x3 Brasil (jogo treino)
- 07/10/2010: Brasil 3×0 Irã (amistoso)
- 11/10/2010: Brasil 2×0 Ucrânia (amistoso)
- 17/11/2010: Brasil 0x1 Argentina (amistoso)
- 09/02/2011: França 1×0 Brasil (amistoso)
- 27/03/2011: Escócia 0x2 Brasil (amistoso)
- 04/06/2011: Brasil 0x0 Holanda (amistoso)
- 07/06/2011: Brasil 1×0 Romênia (amistoso)
- 03/07/2011: Brasil 0x0 Venezuela (Copa América)
- 09/07/2011: Brasil 2×2 Paraguai (Copa América)
- 13/07/2011: Brasil 4×2 Equador (Copa América)
- 17/07/2011: Brasil 0(0)x(2)0 Paraguai (Copa América)
- 10/08/2011: Alemanha 3×2 Brasil (amistoso)
Números de Mano na Seleção
- 14 jogos
- 7 vitórias
- 4 empates
- 3 derrotas
- 59,5% de aproveitamento
- 21 gols marcados – média de 1,5
- 9 gols sofridos – média de 0,64
Publicado originalmente no Portal Extra-AP.