Que a saída de Ricardo Teixeira da CBF era uma necessidade de primeira ordem, não se discute. Mais de 20 anos na presidência da entidade e com uma enxurrada de denúncias – muitas das quais muito mal apuradas! – tornavam inviável seu nome como o de gestor máximo do futebol no país.

Mais do que inviável, tornou-se um nome sem crédito e de prestígio nulo com a Presidenta da República após suas declarações prepotentes e chacoteantes para com a opinião pública em entrevista dada a Revista Piauí no ano passado.

Mas ainda assim, apesar de tudo isso, Teixeira resistia no cargo e não deixava de dormir por causa de seus opositores. Inegável dizer que foi uma surpresa sua renuncia.

Foi a postura austera de Dilma que motivou a renuncia de Teixeira? Talvez. A pressão de movimentos de torcedores e parte da imprensa? Certamente não foi. Isso – o motivo de sua renuncia – importa alguma coisa no momento? Definitivamente, não.

Se o ex-presidente da CBF teve um surto de bom senso e decidiu se mandar de onde já deveria ter saído fazia muito tempo, ótimo. Mas isso não o isenta de ser investigado pela Justiça e nem o transforma num sujeito gente boa. Só que, por agora, vamos nos preocupar com o que realmente tem valor: o que fazer com a CBF?

Simbolicamente, diante do amadurecimento de nossa democracia, a saída de quem estava lá desde 1989 é um avanço, mas com José Maria Marin sentando na cadeira que ficou vaga e afirmando que tudo está no caminho certo e que apenas dará continuidade ao que fazia seu antecessor a sensação de nada de novo no front torna-se dominante.

Agora é o momento de personificar num nome de crédito e idoneidade o projeto que o futebol brasileiro precisa para se modernizar administrativamente. Um projeto que coloque como seus pilares a estruturação das competições femininas, democratizando o futebol entre ambos os gêneros; e transfira aos clubes a organização da Liga Nacional, dando-lhes maior autonomia gerencial.

Deixar José Maria Marin onde ele caiu de paraquedas e sonhar que houve algum avanço é estagnar. E é isso que não pode ser feito! Ficamos mais de 20 anos correndo atrás da poeira e latindo. Agora que alcançamos o automóvel não podemos ficar abanando o rabo, é preciso morder essa oportunidade.

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 20.