O Vasco entrou em baixa em 2003, quando o modelo de gestão Eurico Miranda faliu. A falta de títulos, o papel de coadjuvante nas competições e a queda para a Série B foram os sintomas da crise, que pareceu se amenizar com a chegada de Dinamite e voltar mais forte com o pior início de temporada de sua história em 2011.

Sai PC Gusmão, vem Ricardo Gomes, desempregado desde o ano passado, que nunca figurou como favorito para assumir o comando cruzmaltino. Assistiu das arquibancadas o empate sem gols contra o Volta Redonda, para estrear no dia 6 de fevereiro com a primeira vitória do time na temporada, devolvendo a auto-estima do grupo – ainda bem diferente do atual – e dando o pontapé inicial para o time que seria campeão da Copa do Brasil e que briga por seu quinto Brasileiro.

A importância de Gomes ao Vasco? Toda! As vindas de Alecsandro, Diego Souza e Juninho (assim como a saída de Carlos Alberto e a recuperação de Felipe) tem o devido peso, mas administrar a saída de um dos líderes do grupo e remontar o time em tão pouco tempo, sem uma pré-temporada, não é pouco.

Hoje o torcedor sabe como o Vasco joga, sabe que o time tem mais de 11 titulares (como pede os pontos corridos!) e vai ao estádio esperando a vitória ao invés do sofrimento. Poderia seguir o roteiro básico dos campeões da Copa do Brasil e só figurar no Brasileiro, o que pareceu que faria entre as rodadas sete e oito. Mas em seguida conquistou 16 dos 18 pontos e se lançou à ponta da tabela.

Sem Ricardo Gomes o Vasco pode oscilar e se distanciar da luta pelo título. Mas o importante a pautar nem é isso. É certo que a ambulância em campo estivesse mal equipada para atender casos de acidente vascular encefálico? Como o jogo não foi interrompido e tudo seguiu como se alguém estivesse indo ao vestiário? Os três pontos eram mais importantes que a vida do treinador? Por fim, é justo que o Vasco, postulante à taça, continue disputando seus jogos sem seu treinador enquanto o Santos (que nada disputa) ganha mais um adiamento?

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 9.