
O Fluminense tem elenco mais qualificado, mas não um conjunto melhor que o do Vasco. É mais ou menos como o que acontece com as seleções de Brasil e Uruguai: temos melhores valores individuais, mas a Celeste Olímpica é que possui uma equipe pronta e organizada.
Por que, então, o Fluminense tirou a Taça Guanabara do Vasco com “certa facilidade”? Resposta: falta um técnico mais audacioso ao time cruzmaltino.
Desde que perdeu na estreia da Libertadores, Cristóvão Borges se recusa a usar Felipe e Juninho como titulares, como se ambos juntos no meio de campo fossem um problema. Não são!
Felipe, Juninho e Diego Souza são os três melhores meias do Vasco e, estando em boas condições físicas, não podem ficar no banco enquanto o limitado Nilton ocupa uma vaga no time titular. Não dá pra se punir o talento em detrimento da segurança subjetiva de um esquema tático. Segurança esta que caiu por terra quando o Fluminense abriu vantagem de 3×0 no placar…
Alguns podem pensar que o time com esses jogadores ficaria pouco defensivo e que um meio campo com somente um homem típico de marcação é suicídio. Mas o Barcelona joga somente com Busquets e nem por isso é fraco defensivamente. Pelo contrário: por aproveitar o talento de quem sabe passar a bola e manter sua posse, evita que o adversário ataque. É possível se defender melhor?
O Barça está ensinando ao mundo que o futebol mudou (outra vez) e que é (de novo) possível se jogar pra frente, abrindo espaço ao talento (e ao espetáculo!) e retirando de campo os cães-de-guarda. Será que vamos ignorar essa lição e continuar batendo na tecla de que o meio de campo só se pode escalar com dois construtores e dois destruidores de jogadas?
Ou se aposta na inovação lançada pela escola catalã ou nunca vamos oferecer nada diferente do feijão com arroz que temos aos fãs do esporte. E com essa mesmice certamente seremos meros coadjuvantes em 2014.
Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 19.