No Brasileirão 2011, um dos mais concorridos dos últimos anos (não “o mais concorrido”, pois 2009 imprimiu roteiro parecido), o Corinthians conseguiu ser o campeão da lógica. Depois de uma arrancada com nove vitórias nos primeiros dez jogos, chegando aos 93% de aproveitamento, o time somou “somente” mais 43 pontos nas 28 apresentações restantes para ficar dois pontos na frente do Vasco e comemorar o pentacampeonato.

Título merecido, incontestável, mas acabou sendo um campeão frio, que não empolgou mais que outros times e nem exibiu o melhor futebol da competição.

O fato futebolístico do ano em 2011 não será o desempenho do Campeão Brasileiro, mas sim o desempenho do vice. O Vasco da Gama, que começou o ano desacreditado, com quatro derrotas seguidas e uma eliminação precoce na Taça Guanabara, soube não somente se recuperar no primeiro semestre e garantir sua volta à Taça Libertadores, mas também disputar ponto a ponto com o Corinthians o título mais importante do país até a última rodada e quase chegar paralelamente na final da Sul-Americana. Fez justiça ao bordão de time da virada!

É possível que alguns torçam o nariz e digam: “ganhou só a Copa do Brasil”. Mas o título é a consolidação de um processo. Não é por conta dele não ter vindo que a campanha foi infrutífera, que de nada valeu. A Seleção de 1982, por exemplo, é lembrada até hoje como algo mágico, não como um processo que fracassou.

Comumente achincalhada pela alcunha de “vice”, a torcida do Vasco gritou “é campeão” para os jogadores após o empate contra o Flamengo e saiu de campo – sem dúvidas – muito menos frustrada que a flamenguista. Nesse ano de Neymar e Muricy erguendo a Libertadores e indo desafiar o Barcelona de Messi no Japão – note-se que desde 2005 este foi o primeiro Brasileirão que Muricy não disputou as primeiras posições – o que vai ficar marcado é a recuperação do Vasco, clube que parecia estar no fundo do poço e cavando pra baixo, mas que recuperou o seu tamanho normal. Impossível não imaginar que o clube carioca não levante pelo menos uma das quatro taças que vai disputar em 2012.

Publicado originalmente no jornal Extra-AP – ano 1 nº 15.